Ao aproximar do aniversário de 40 anos de fundação, a ser comemorado em novembro, o Instituto de Pesos e Medidas do Estado de Minas Gerais (Ipem-MG), vinculado à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), está cada vez mais próximo de obter do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), o credenciamento para iniciar a certificação de produtos, através de parceria com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). A medida, que deve ser iniciada pela cachaça no início de 2008, seguida do café e outros produtos agropecuários, é um dos passos mais importantes para agregar valor e ganhar os mercados mais exigentes do planeta.
De acordo com o diretor-geral do Ipem de Minas, Tadeu Mendonça, a expectativa é de que até o final deste ano, o processo de certificação esteja autorizado pelo Inmetro. “É um avanço, o Ipem e o IMA se tornarem o braço operacional do Estado para as políticas de certificação e exportação. A divisão de responsabilidades é imprescindível, pois quem audita não certifica e quem certifica não audita”, argumenta Mendonça, ao ressaltar que o processo só será aprovado pelo Inmetro, a partir dessa divisão de tarefas e competências.
O Ipem-MG é o terceiro do país em arrecadação e está entre os cinco primeiros que terão a sua certificadora. As suas atividades metrológicas e de fiscalização est subordinado ao Inmetro. Em todo o Estado, fiscaliza bombas medidoras de combustíveis líquidos, taxímetros, hidrômetros, balanças, entre outros instrumentos de pesos e medidas, além de conferir a quantidade de produtos pré-medidos e a conformidade de produtos têxteis, além dos produtos certificados. As atividades do Instituto são realizadas de forma rotineira durante todo o ano e eventualmente quando é solicitado.
Com sede em Contagem, o Ipem mineiro possui ainda 12 unidades regionais localizadas em Belo Horizonte, Caratinga (Leste do Rio Doce), Divinópolis (Centro-Oeste), Governador Valadares (Leste), Juiz de Fora (Zona da Mata), Montes Claros (Norte), Patos de Minas (Alto Paranaíba), Passos (Sul de Minas), Pouso Alegre (Sul de Minas), Uberlândia (Triângulo) e Varginha (Sul de Minas).
Estrutura do parceiro IMA
Para o diretor-geral do IMA, Altino Rodrigues Neto, o instituto tem hoje 1300 servidores e a possibilidade de chegar a 1786 com a realização de concurso público previsto para os próximos meses. O IMA está presente em 703 dos 853 municípios mineiros, sendo 200 escritórios com agrônomos e veterinários, e 503 conveniados com prefeituras, cooperativas e sindicatos rurais.
Segundo Altino Neto, a participação do IMA no processo de certificação dos produtos mineiros, vai acontecer com a execução do trabalho no campo, inclusive orientando o produtor em todas as regiões do Estado, de tudo aquilo que ele precisa cumprir para que o seu produto seja certificado. Em seguida, todos os levantamentos serão encaminhados ao Ipem, que fará a certificação com o selo do Inmetro, que já e reconhecido em mais de 80 países.
“Essa parceria será fundamental para abrirmos o mercado mundial para alguns produtos do agronegócio mineiro e ampliar a exportação de outros, agregando mais valor a eles”, observou o diretor-geral do IMA, lamentando que a carne brasileira, apesar de líder mundial em vendas para o exterior, ainda não tenha conseguido entrar nos principais mercados que são os Estados Unidos e Japão, por falta de certificação de qualidade.
Cachaça, café, frutas e suinocultura
A parceria na certificação de produtos mineiros será iniciada pela cachaça que vem ganhando cada vez mais espaço no mercado internacional e se tornando destaque na pauta de exportações. O café, que já lidera as exportações de produtos agrícolas em Minas, poderá, com a certificação, conseguir melhores preços. A venda de frutas mineiras para o exterior também vai ganhar impulso. Segundo informações do IMA, há um interesse também do segmento da suinocultura em iniciar a exportação com o produto certificado em Minas.
O secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alberto Duque Portugal, disse que na chamada economia do conhecimento, a qualidade é fundamental nos processos de produção. Ele disse que em razão da concorrência do mundo globalizado, as exigências para aceitação dos produtos têm sido muito maiores. Por isso, reconheceu que o trabalho da metrologia legal e da metrologia científica, concebido pelo Inmetro e desenvolvido em Minas, através dos Ipem, está no caminho certo para dar segurança e tranqüilidade aos compradores dos produtos produzidos no Estado.