Planejamento Estratégico

 
 

3.1 O planejamento de cenários do Ipem

 

“Ferramenta para ordenar as percepções de uma pessoa sobre ambientes futuros alternativos nos quais as conseqüências de sua decisão vão acontecer”
Peter Schwartz


Segundo o autor citado, o planejamento de cenários implica escolher, hoje, dentre várias opções, com total compreensão dos possíveis resultados. Poderia ser definido como uma ferramenta para ordenar as diferentes percepções do futuro no qual essas opções produzirão efeitos, embora esteja mais próximo de uma forma disciplinada de pensar do que uma metodologia técnica ou fórmula. E, acima de tudo, trata-se de uma desculpa para aprender”.


Quando se utiliza a análise de cenários como ferramenta do Planejamento Estratégico, a Instituição procura vislumbrar os possíveis ambientes alternativos que o futuro poderá apresentar. Trata-se de uma metodologia que vem sendo largamente utilizada em empresas públicas, de economia mista e do setor privado, ou seja, da administração moderna de uma forma geral.

 

Os dirigentes, gestores ou executivos que puderem expandir sua imaginação para ver uma gama mais ampla de possíveis futuros estarão muito melhor posicionados para aproveitar as oportunidades imprevistas que surgirão. A partir do momento em que os gestores estão preparados para enfrentar situações repentinas, imprevistos ou possíveis oportunidades que o mercado lhe apresente, a probabilidade de se agir rápida e eficazmente é amplificada.


O planejamento baseado em cenários é um método disciplinado para imaginar possíveis futuros. Vem sendo aplicado a uma grande variedade de questões e pode-se afirmar que é um processo altamente interativo, intenso e imaginativo. Um bom projeto de planejamento baseado em cenários deve expandir a visão periférica do líder.


O planejamento de cenários simplifica a avalanche de dados ao levar em conta um número limitado de situações possíveis. Cada cenário conta a história de como vários elementos poderiam interagir sob determinadas condições.

Quando os relacionamentos entre elementos podem ser formalizados, a Instituição pode desenvolver modelos quantitativos. Ela deve avaliar cada cenário em termos de consistência interna e plausibilidade. Os cenários são muito mais que apenas resultado de um modelo de simulação complexa. Ao contrário, eles tentam interpretar esse resultado através da identificação de padrões e agrupamentos entre os diversos resultados possíveis.


Concluindo, o planejamento baseado em cenários procura captar a riqueza e a variedade de possibilidades, estimulando os tomadores de decisão a considerarem mudanças que, caso contrário, iriam ignorar.

 

Metodologia

 

O planejamento do IPEM teve início em outubro de 2007. Após a definição, pela diretoria, do nome dos vinte e cinco participantes de áreas estratégicas, ocorreu o primeiro dos oito encontros agendados pela consultoria. Cinco grupos de trabalho foram formados, com o objetivo de selecionar todas as variáveis-chave e fatores de influência diretamente relacionados ao IPEM, nos seguintes temas:

 


A segunda fase envolveu a priorização de variáveis e fatores-chave, conforme o diagrama abaixo:

 

 

 

A próxima etapa envolveu a descrição, por cada um dos grupos, de cada um dos cenários relacionados ao futuro do IPEM.

Os  cinco cenários partem de dois eixos: desenvolvimento (ou não) da economia e avanço (ou não) da política governamental.

 

Os 5 cenários do IPEM

 

 

No primeiro cenário elaborado, há uma evolução das políticas governamentais (federal, estadual e municipal) e, simultaneamente, um alto desenvolvimento econômico. Em relação à política internacional, os países emergentes, como o Brasil, ocupam um papel cada vez mais importante. Minas Gerais também se desenvolve, e suas lideranças políticas e empresariais ocupam um papel de destaque no país, influenciando as decisões nacionais.


Em relação à população, temos uma melhoria na distribuição de renda e uma redução das desigualdades regionais, com a elevação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Estado até 2011. A população continua crescendo, porém em um ritmo menor que o observado na década de 80.


A condição econômica do Brasil tende a melhorar, com um aumento do mercado de consumo e ampliação de novos negócios, especialmente nas áreas de tecnologia e agro-negócios. Como conseqüência, há um crescimento do mercado interno e das exportações.


Em relação ao desenvolvimento científico, a área de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior continua sendo uma das prioritárias do governo mineiro. 


O cenário é “eficiente e competitivo”: conta com uma rede de ensino integrada entre si e fortemente articulada com a Ciência e Tecnologia, ambas voltadas às necessidades do setor produtivo. Referente à metrologia, há um aumento das áreas fiscalizadoras e de controle, uma maior demanda pelos serviços metrológicos, com a necessidade de instalação de escolas técnicas, busca de parcerias e de padrões técnico-normativo adequados.


A certificação de produtos é intensificada, com a adoção, cada vez maior, de padrões de qualidade internacionais. Isso pode acarretar a abertura da Metrologia Legal à iniciativa privada, já que surgem novos mercados para a prestação de serviços metrológicos, alavancados pela necessidade de lucro da iniciativa privada. 


A ampliação do mercado externo também deverá gerar maior demanda por certificação de produtos. No que diz respeito ao meio ambiental, as ações de preservação serão cada vez mais incentivadas e valorizadas.

Por parte dos consumidores, haverá uma maior conscientização da necessidade de se preservar o meio- ambiente, com a busca por produtos menos poluentes e ecologicamente corretos.

 

 

Em um cenário de alto desenvolvimento econômico, há naturalmente o surgimento de muitas novas oportunidades. Conseqüentemente, as relações entre as pessoas (econômicas, comerciais, técnicas e administrativas) se intensificam tanto que, sem a existência de um governo capaz de organizar todo esse crescimento, o impacto poderia ser totalmente negativo para a sociedade. É nesta lacuna que entra a outra parte do cenário, formado pela estagnação das políticas governamentais.


Alto desenvolvimento econômico sem políticas governamentais que administrem este crescimento implica no surgimento de muitas oportunidades, porém aproveitadas somente pelos mais poderosos, aumentando, assim, a concentração de renda nas mãos de poucos e as desigualdades regionais. Mesmo assim, tendo em vista o aumento considerável do Produto Interno Bruto do país, será possível observar uma discreta redução da pobreza, uma vez que os mais pobres terão um pouco mais de acesso aos recursos financeiros.


Outro aspecto importante deste cenário causado pelo alto e, ao mesmo tempo, descontrolado desenvolvimento econômico é o aumento considerável da migração da área rural para as grandes cidades.  Pessoas em busca de novas oportunidades causam, assim, sérias conseqüências na infra-estrutura dos centros urbanos, seja em relação à moradia, saneamento básico,  transportes, o que também acarretará, certamente, um aumento descontrolado do desemprego e da violência.


À medida que este cenário vai se configurando, o número de relações econômicas e comerciais entre as pessoas, sejam físicas ou jurídicas, ampliam-se naturalmente, aumentando, assim, o mercado interno.


Crescimento do mercado interno implica em ampliação das trocas comerciais e econômicas e, conseqüentemente, no aumento da necessidade de se utilizar as medições para que tais trocas possam ser efetuadas sem prejuízo para nenhuma das partes. Sendo assim, juntando, num mesmo cenário, o alto desenvolvimento econômico e o crescimento do mercado interno, haverá mais dinheiro para se investir no aperfeiçoamento dos sistemas metrológicos.


Paralelamente a isto, o desenvolvimento econômico impulsionará a educação, principalmente na rede privada, e forçará o governo a investir no ensino público. No entanto, devido às desigualdades regionais, em muitos pontos do país a rede pública continuará precária, sem infra-estrutura, com professores desvalorizados e defasados culturalmente. Com o desenvolvimento da educação caminhando junto à globalização e com o aperfeiçoamento dos sistemas metrológicos, a ampliação do desenvolvimento científico será evidente.


Tendo em vista este mercado altamente competitivo e o razoável desenvolvimento da educação, e pelo fato de não se poder contar com políticas governamentais que controlem e ordenem todo este desenvolvimento, a maioria das empresas sentirá a necessidade de se investir mais no desenvolvimento de novas técnicas de gestão, visando  disseminar novos conceitos, metodologias e sistemas desburocratizados.


Simultaneamente, com a estagnação das políticas governamentais, o mercado e as próprias exigências da sociedade - um pouco mais consciente e bem informada -  forçarão o governo a ter o mínimo de controle sobre produtos, processos e serviços, havendo, assim, um pequeno aumento da demanda por serviços metrológicos e por serviços de avaliação da conformidade. Naturalmente que num cenário desorganizado como este, os produtos certificados serão um ótimo referencial, atestando segurança, qualidade, confiança e qualidade ambiental.


O aperfeiçoamento das técnicas de gestão e a maior demanda por certificação de produtos implicarão em produtos de boa qualidade e em conquista de novos mercados.

 

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O terceiro cenário elaborado traça um futuro pessimista, com a estagnação da política metrológica e baixo desenvolvimento econômico, tanto em Minas Gerais, quanto no restante do país.


No terceiro cenário elaborado, não há ênfase do governo na elaboração de políticas favoráveis à ampliação e desenvolvimento tecnológico, investimentos consideráveis em Ciência e Tecnologia, comprometendo o crescimento e desenvolvimento do país, a modernização das instituições e o crescimento da economia.


Neste cenário, não há desenvolvimento tecnológico e industrial expressivos, acarretando assim, a desaceleração da economia, queda do Produto Interno Bruto (PIB), e aumento do desemprego no país. Há escassez de capital humano, de novos talentos e competências, devido à falta de investimentos na educação. As redes de ensino caminham de forma isolada, sem articulação com as políticas de Ciência e Tecnologia.


Não há mobilização do governo para promover ações focadas nas peculiaridades de cada região, aumentando assim as desigualdades regionais, que constituem um fator de entrave ao processo de desenvolvimento econômico. Há aumento do desemprego e queda nos negócios e no consumo.


Diante disso, o desempenho de Minas no cenário nacional fica
comprometido, pois não há investimentos significativos em infra-estrutura, educação e novas fontes de energia, com a crescente diminuição nos lucros das empresas e a baixa participação do Estado no mercado internacional. O Estado retrai-se numa posição provinciana.


Da mesma maneira, o Instituto de Pesos e Medidas de Minas Gerais   tem o seu desempenho comprometido, com resultados bem abaixo dos padrões alcançados nas últimas quatro décadas. Por não conseguir atender  às demandas do setor produtivo, há uma abertura da Metrologia Legal para a iniciativa privada, com a possibilidade real de perda de receita.

 

 

O quarto cenário vislumbra uma política governamental metrológica avançada, com baixo desenvolvimento econômico.


O cenário é de uma provável  estagnação dos negócios e do consumo, uma vez que inexiste uma política de incentivo para as indústrias e o comércio, diminuindo substancialmente a demanda metrológica. E diante dessa realidade,  o processo produtivo das indústrias também tende a se manter em níveis de desenvolvimento baixo, assim como o comércio se torna pouco atrativo. Com a ausência de uma política nacional de desenvolvimento da industrialização, há ainda uma retração do mercado externo.


Os  produtos colocados no mercado para consumo exigirão maior controle por parte dos órgãos metrológico - no caso brasileiro, Inmetro e Ipem´s - braço operacional do Instituto nos Estados.

A política governamental metrológica encontra-se consolidada, havendo ainda tendência de  intensificação dos controles .

Com a exigência do Governo em manter o controle metrológico e a qualidade dos produtos,  as indústrias tendem a atender as determinações e passam a colocar no mercado produtos com garantia de qualidade, tornando o mercado mais competitivo internamente. Há uma disputa de mercado com empresas da iniciativa privada.

No Brasil, as regulamentações técnicas impostas ao setor produtivo possibilitam o desenvolvimento de produtos ou serviços que atendam às necessidades dos consumidores.  Isso faz faz com que esses produtos possam concorrer com

aqueles do mercado externo; o que  pode gerar um pequeno  aquecimento da  economia brasileira.

Em relação à preservação ambiental, surge uma maior demanda por produtos ecologicamente corretos , que consomem menos recursos naturais. Uma política metrológica avançada que preserva o meio ambiente e monitora o mercado e ainda aliada às exigências do consumidor por produtos de qualidade, pode fortalecer a economia.


Nesse cenário, a tabela metrológica é reajustada. Ocorre também a abertura da Metrologia Legal à iniciativa privada - gerando perda de receita para os Ipem´s - aceleração da inovação tecnológica e surgimento de novos mercados para prestação de serviços metrológicos.

 

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O País convive com um conjunto de fatores internos e externos que se mostram desfavoráveis ao desenvolvimento sustentável. A inexistência de uma visão de futuro compartilhada, a fragilidade das instituições públicas e privadas e as acentuadas descontinuidades e deficiências da gestão pública refletem negativamente na formação do capital humano e na diversificação e adensamento da economia. Pobreza, desigualdade e violência continuam a fazer parte da vida da população.


Demografia:
A população do mundo cresce e envelhece. Desde a 2ª Guerra Mundial, a taxa de crescimento populacional passou de baixa a alta, liderada principalmente pelos países do “terceiro mundo”, cujas taxas de mortalidade foram significativamente reduzidas pela medicina moderna e por medidas de saúde pública (água limpa, vacinação, antibióticos etc), levando a uma explosão populacional. Ocorre um crescimento desordenado das grandes cidades. Ocorre uma pequena queda na pobreza e discreta distribuição de renda. O estado não consegue dar infra-estrutura adequada à população, aumentam as desigualdades regionais.


Educação:
Ocorre desenvolvimento de parcerias entre instituições públicas e privadas de ensino, para adoção de programas de educação para o consumo. A sociedade se mostra mais bem informada e conhecedora de seus direitos.


Mercado:
Ocorre a abertura do mercado de Metrologia Legal para a iniciativa privada acelerando a inovação. Inclusão de empresas para controle da qualidade de produtos industriais, comerciais, lento aumento na demanda por serviços metrológicos. Sensível aumento da competitividade das empresas e busca por qualidade, conquistando novos mercados. As exportações nacionais mantém-se constantes, não ultrapassando, entretanto, 1% de participação no comércio mundial. O desemprego aumenta sensivelmente, ficando acima de 10%. A competitividade encontra obstáculos significativos ao seu pleno desenvolvimento. Outros fatores que inibem o crescimento da competitividade são as deficiências, lacunas e disparidades regionais na qualidade da infra-estrutura, a precariedade dos sistemas regulatórios e jurídicos, com a permanência da corrupção e do patrimonialismo e a baixa posição competitiva no mercado de serviços, com a existência de ilhas de excelência (por exemplo, software e entretenimento) e o baixo aproveitamento de setores potenciais, tais como turismo e alguns serviços profissionais. A falta de políticas claras de desenvolvimento, aliada às carências de infra-estrutura e serviços públicos, limitam o dinamismo do setor terciário na região.


Meio Ambiente:
O crescimento populacional,  por sua vez, terá um impacto direto sobre aquele que poderá se tornar o maior problema dos países subdesenvolvidos nos próximos anos: a falta de água, que pode acarretar escassez de alimentos. Intensificam-se os programas de controle do meio ambiente, para prevenir e garantir a segurança ambiental, com participação da iniciativa privada e ONG´s. Ocorrem poucas pesquisas e consequentemente, pouco desenvolvimento de novas fontes de energia. Grande preocupação com o tratamento dos produtos inservíveis.


Economia:
O ritmo do crescimento passa por uma perceptível queda, sobretudo quando comparada às taxas taxas de crescimento do outras economias emergentes, como China e Índia. A economia se mantém estável, com aumento do consumo gerando a criação e ampliação de novos negócios. O PIB nacional cresce a taxas inferiores a 4,5% ao ano. As taxas de juros do país se mantém acima de 8%, não atingindo os níveis mundiais.


Política:
Lideranças políticas e empresariais mineiras influenciam nas decisões políticas e econômicas do país. Ocorre a articulação das políticas de Ciência e Tecnologia. O estado adota políticas de controle sobre produtos que danificam meio ambiente. Aumento do controle do governo sobre produtos e serviços. Aumento de exigências das instituições governamentais por itens de segurança.


Tecnologia:
O crescimento, ainda que modesto, pressiona o desenvolvimento científico. Ocorre pequena melhora na eficácia organizacional ocasionado pelo por pouco desenvolvimento de novas técnicas de gestão. Necessidade de instalação de escolas técnicas em busca de formulação de novos padrões técnicos e normativos.
O escasso crescimento da produtividade dos fatores de produção (mão-de-obra,capital, tecnologia) tem levado a perdas globais na produtividade. Os custos de mão-de-obra na região não se encontram entre os mais competitivos, sobretudo em comparação com os do mercado asiático. Com isso, até mesmo a histórica estratégia de desenvolvimento competindo por custos encontra-se severamente ameaçada. Os países da região investem uma baixa proporção de seu PIB em P&D, e sua iniciativa privada em geral também não direciona recursos significativos para a inovação. O resultado é a baixa capacidade de inovação e desenvolvimento tecnológico.

 

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